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Laços Que Unem
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Laços Que Unem

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Laços Que Unem
Amy Blankenship

Obsessão Livro #1
O Santuário é um vasto e isolado sítio de férias escondido no topo da sua própria montanha privada. Angel Hart cresceu protegida do mundo real no resort pertencente à sua família. Rodeada pelos três homens que mais adorava até o divórcio dos seus pais a ter afastado deles, Angel viveu uma vida acolhida e privilegiada. Dois anos mais tarde ela volta a casa para uma visita e trouxe o seu novo namorado. Subitamente, Angel torna-se o objeto do afeto de várias pessoas e estas não fazem intenção de a deixar sair do Santuário de novo. Obsessões secretas tornam-se num jogo de posse mortífero, enquanto os homens que a amam se tornam as pessoas mais perigosas na montanha.

Laços Que Unem

Saga Obsessão

Amy Blankenship

Translated by Sobral Ricardo

Copyright © 2009 Amy Blankenship

English Edition Published by Amy Blankenship

Portuguese Edition Published by TEKTIME

All rights reserved.

Capítulo 1 “Santuário”

Angel Hart olhou pelo espesso vidro da janela, querendo encolher-se face à altura que o helicóptero levava quando voou em direção ao resort onde ela tinha crescido. Amava este sítio de morte... Mas gostava muito mais de o ver do chão. Voar era a sua única fobia e tinha estado a fazê-lo nas últimas dez horas.

Soprando o cabelo dos olhos, olhou para o seu irmão, Tristian, perguntando-se o que o tinha possuído para se encontrar no aeroporto com eles, sabendo que teria de voltar para casa a voar no helicóptero.

Ela tinha a certeza que o Tristian ainda odiava mais voar do que ela e conseguia vê-lo a mandar mensagens a alguém para manter a mente ocupada. Talvez tivesse enfrentado o seu medo porque não se tinham visto durante quase dois anos, mesmo falando ao telefone e mandando mensagens um ao outro quase todos os dias. Ela não quis, propriamente, saber porque o havia feito, porque tê-lo ali com ela bastava para a acalmar e estava grata por isso.

Para fugir ao barulho do helicóptero, Angel deixou a mente divagar pelos últimos dois anos. Quando os seus pais se divorciaram, o pai dela tinha-a para a Califórnia enquanto o Tristian tinha sido obrigado a ficar aqui no santuário com a mãe deles. Visto que era demasiado longe para fazer de carro e nenhum deles gostava de voar... A distância tinha sido a única razão para que não se tivessem visitado.

Ela não tinha percebido o quanto tinha tido saudades de Tristian até o ter visto parado ali no aeroporto sozinho. Ele estava encostado à parede mesmo em frente à porta por onde eles tinham passado. Assim que se viram, ela lançou-se a correr em direção dele quando ele estendeu os braços para a abraçar.

O seu irmão mais velho... O Tristian fora sempre a primeira pessoa com quem ela falava de manhã e a última que via antes de fechar os olhos e adormecer. Ao crescerem, até tinham convencido os pais deles que sofriam de sonambulismo porque se levantavam a meio da noite para adormecerem na cama um do outro.

A mãe deles tinha tentado acabar com aquilo quando ficaram um pouco mais velhos trancando as portas dos quartos à noite. Angel serrou os lábios lembrando o que a mãe deles tinha dito da última vez que os tinha apanhado a dormir nos braços um do outro.

- É pecado, a forma como vocês se comportam... agem mais como amantes do que como irmão e irmã - O tom de voz de Lily Hart tinha mudado de amor de mãe para repugnância.

Tristian encontrara, rapidamente, uma forma de contornar aquelas fechaduras estúpidas. Tinha cortado um bocado da parede atrás do seu armário para que pudesse, facilmente, entrar nos pequenos corredores que seguiam as paredes do hotel onde viveram. Tinha feito o mesmo à parede dela e todas as noites esgueirava-se para o quarto dela e dormiam juntos... preparando o despertador para que não fossem apanhados.

Ele dissera-lhe que era a mãe deles que era a pervertida... Por pensar que a relação deles era indecente e repugnante. Até tinha realçado que em muitos outros países mais pequenos, toda a família dormia e tomava banho junta, e que em outros era perfeitamente normal casamento entre irmãos. Tristian tinha-a convencido que era a mãe que era a pecadora ao tentar afastá-los um do outro.

Angel tinha decidido havia muito tempo manter os seus segredos com Tristian e que eram assuntos deles e de mais ninguém... confiava nele.

Tristian não tinha mudado muito desde que ela o tinha visto pela última vez, mantendo sua aparência jovem e inocente. Mas, ao mesmo tempo, conseguia ver mudanças que não tinha visto a acontecer. O seu cabelo loiro tinha escurecido um pouco na raiz... Madeixas de loiro platinado e pontas ruivas ficavam-lhe muito bem com os seu bronze suave e olhos verdes.

Sorriu pensando que ele se integraria bem com os surfistas da Califórnia com o seu penteado alternativo. Era quase todo do mesmo comprimento tirando uma zona em que caía sobre um dos olhos, bem além do queixo. Também conseguia ver o couro preto do colar com a cruz, que ela lhe tinha enviado para o Natal, espreitando perto do colarinho.

No entanto, sentiu que era ela quem tinha mudado mais. Quando deixara o santuário tinha apenas dezasseis anos. Depois de estar com Tristian, Hunter, e Ray quase todos os dias da sua vida... sentira-se sentido muito perdida e sozinha em Los Angeles. Ela nunca tinha, sequer, visitado uma escola real porque a avó deles tinha contratado sempre explicadores privados para os ensinar em casa.

Ir para a secundária em Los Angeles fora um grande choque cultural. Foi então que percebeu, tendo a sua família tanto dinheiro tinha apenas permitido que a iludissem completamente quanto ao que era normal. Então conheceu Ashton Fox. Sempre que saía da casa do seu pai, Ashton estava lá ou aparecia sempre onde quer que ela estivesse... Como se fosse destino. Ele devolveu-lhe o sorriso rapidamente e começou a mostrar-lhe todo um novo mundo.

Angel cometeu o erro de olhar de novo pela janela assim que passaram por um vale fundo, fazendo-a sentir como se estivessem altíssimos.

Apertou a mão de Ashton com mais força ainda, decidindo olhar para ele e não para a vertiginosa vista. Os seus olhos de um azul gelado riam-se do nervosismo dela, mas ela não quis saber... de todo. Estava quase feliz por ele não a ter ouvido quando o tentou impedir de a seguir até ao santuário durante o fim de semana.

Usando o pequeno comunicador feito nos seus auriculares perguntou. - Ash, já alguma vez andaste de helicóptero? Pareces estar a lidar com isto muito bem.

- Não, mas eu estou a amar cada minuto - Ashton sorriu-lhe. - A tua família é um pouco excêntrica, não achas? Mandaram um helicóptero para nos ir buscar ao aeroporto enquanto uma limusina trás a nossa bagagem. E eu pensei que minha família era rica - levantou as sobrancelhas tentando faze-la rir.

Ele sabia que ela estava nervosa pela forma como lhe estava a cortar a circulação da mão. A vulnerabilidade dela só o encantou ainda mais. Não era nada como as vadias de Los Angeles com quem ele tinha namorado. Os seus pensamentos perderam-se quando a voz do irmão dela se ouviu através do comunicador.

- É sempre assim - Tristian olhou para a sua irmã, sabendo que ela concordaria.

Eles tinham visto os adultos da família Hart a jogar este jogo estúpido durante toda a sua vida. - Na família Hart têm sempre de se superar uns aos outros. O facto de a nossa avó ser dona do helicóptero e de toda santuário é a sua pequena vitória sobre os seus três filhos... e o mundo - Murmurou a última parte com um pouco mais de sarcasmo.

- Já chega, Tristian - Malcolm Hart fez um olhar desapontado para o seu filho depois virou-se para a sua mais recente namorada, Felicia. Ele decidiu dominar o com-link durante o resto da viagem para que o seu filho não tivesse a oportunidade de dizer mais nada que danificasse a família em frente dos seus convidados.

Ele sorriu para a bonita ruiva com quem tinha começado a namorar havia apenas duas semanas. Ele seduzira-a com dinheiro só para que a pudesse trazer e exibir em frente da sua ex-mulher, Lily Tinha sido ela quem insistiu no divórcio, então ele ia esfregá-lo na sua cara, ferozmente.

Entrando em modo de guia turístico, Malcolm apontou pela janela vendo que estavam quase lá. - O resort é ali, logo a seguir àquela subida, santuário… melhor conhecido pelas suas famosas capelas para casamentos e suites nupciais - Malcolm sorriu para Felicia de forma matreira. Ele sabia que se mantivesse a esperança ela faria o seu papel muito bem em frente a Lily.

- Visto que o cume da montanha é praticamente raso, este sítio tem tudo o que possas imaginar incluindo um SPA, um lago enorme, piscina no interior e exterior... entre outras coisas. Nós somos donos de cerca de 50 quilómetros em todas as direções e marcámos a terra como reserva de caça para que ninguém posso alguma vez construir lá nada e estragar a sua beleza. Só existe uma estrada em direção à montanha e o portão de baixo mantém os intrusos de fora.

- Uau... é tudo tão fabuloso - guinchou Felicia naquela voz carente.

- E no fundo da montanha existe uma reserva de índios apache - continuou ele. - A maioria dos funcionários do resort são apache - Os olhos do Malcolm vidraram com memórias das belas raparigas que os seus pais tinham contratado da reserva. Os seus anos de adolescente tinham sido algo que não mudaria pelo mundo.

- Índios verdadeiros? - Felicia pestanejou e lançou-lhe um ar assustado, inclinando-se em direção dele por proteção. Ela teve muita sorte quando um homem mais velho e tão rico engraçara com ela. Se ela jogasse bem a sua mão, nunca mais teria de trabalhar na vida.

- Quantos anos tens? Cinco? - Tristian esticou-se e desligou o seu com-link sentindo-se maldisposto e não era da viagem de helicóptero.

Ele massajou as têmporas irritado com a dor de cabeça que sentia aparecer... ultimamente tinha perdido toda a tolerância para pessoas estúpidas. Levando a mão ao bolso, tirou o seu cantil do álcool, só que este não tinha álcool dentro. Era um remédio índio para a dor de cabeça que o seu amigo Hunter lhe tinha feito e costumava funcionar em poucos minutos. Só esperava que fosse forte o suficiente para o livrar daquela dor causada por este helicóptero estúpido e pelo seu pai.

Ele sabia o que o seu pai estava a planear. Felicia devia estar a meio dos seus vinte e parecia mais o troféu do seu pai do que uma namorada. Eram momentos destes que o deixavam feliz por não viver com o seu pai.

Ainda assim, toda aquela situação o irritou seriamente. A culpa dos pais deles não se darem bem não era da Angel, então porque é que ela teve de sair da sua casa? O divórcio tinha-o deixado muito chateado quando descobriu que o juiz tinha decidido que cada um ficaria com um filho. Desde que Angel tinha tido dezasseis e ele dezassete que tinham sido separados contra a sua vontade.

Se ele soubesse o que sabia agora... Nunca teria deixado aquilo acontecer. Por ele não ter sido esperto o suficiente para o parar... ficou quase dois anos sem ver a Angel e foi por isso que cometera o erro de se encontrar com ela no aeroporto hoje. Tinha demasiadas saudades dela.

Os cantos da sua boca deixaram transparecer um sorriso perverso lembrando que o mesmo juiz estúpido que o tinha separado da sua irmã tinha sido morto num acidente horrível dois dias depois de Angel ter sido forçada a mudar-se. Tristian afastou o pensamento quando olhou de volta para a sua irmã. Até então, tinham vivido no santuário toda a sua vida.

De todos os sete netos, ele e Angel eram os preferidos da avó Hart e as coisas em santuário tinham-se tornado muito melhores depois do avô deles ter caído das escadas e partido o seu pescoço três anos antes.

Os olhos de Tristian endureceram-se com aquele pensamento. Eles não tinham chorado uma única lágrima quando aconteceu porque nem ele nem a Angel conseguiam suportar o velho. John Hart tinha sido tão mau que metia medo... sempre a olhar para eles e a ofendê-los quando pensava que ninguém estava a ouvir. Ao crescerem, ele e a sua irmã tinham feito um jogo que consistia em evitar o avô deles a todo o custo.

John Hart sempre fora pior para ele... tratando-o de forma diferente dos seus outros netos. Tristian bloqueou teimosamente as memórias decidindo que o velho não valia a pena o esforço cerebral que estava a dar-lhe.

O seu olhar viajou da sua irmã para o namorado dela, Ashton Fox. Foi a primeira vez que soube que ela tinha um namorado. Tristian manteve a sua expressão impassível enquanto olhava para o caloiro da universidade. Segundo toda a informação que tinha recolhido... ele pareceu aceitável e odiava isso porque queria que a Angel se mudasse de volta para o santuário. Isso não aconteceria se ela estivesse a gostar da sua vida na Califórnia.

Ashton Fox tinha vinte anos, mas ia fazer vinte e um esta semana... Como se ele quisesse saber. Talvez lhe preparasse uma grande festa de anos e o deixasse embebedar-se tanto que ele vomitasse para cima de Angel... talvez isso ajudasse a romper os seus laços o suficiente para que ela voltasse para casa. Se não, tinha a certeza que entre ele, Hunter e Ray... eles conseguiam pensar em alguma coisa.

Tristian continuou a tentar pensar em mais razões para não gostar de Ashton. Ele até tinha pedido ao seu tio Robert, que era advogado, para fazer uma investigação minuciosa sobre o passado dele. Robert Hart tinha confirmado que vinha de uma família com dinheiro, mas não tanto dinheiro como eles tinham. Ainda assim, Tristian tinha de admitir que era suficiente para impedir que ele quisesse namorar com a sua irmã só pelo seu dinheiro.

Descobriu, no entanto, que Ashton Fox tinha um cadastro criminal de algum género, mas estava selado. Robert tinha dito que provavelmente era algo menor como conduzir embriagado quando era um adolescente. Ashton também estava a estudar para ser médico, apesar de parecer mais um anúncio andante para a Calvin Klein Jeans com o seu cabelo loiro de platina atado, pele bronzeada e olhos de um azul gelado.

Tristian fez uma careta ao pensar que se Ashton e Angel tivessem idades mais próximas podiam quase ser gémeos... tirando o facto de o cabelo da Angel ser mais comprido. Mesmo agora, estavam os dois a fazer aquela coisa a sorrir um para o outro e estava mesmo a começar a irritá-lo. Tristian afundou-se no seu lugar e decidiu olhar pela janela.

Ele grunhiu silenciosamente perguntando-se qual visão era pior.

*****

Isabel Hart pousou a sua chávena enquanto ouviu o seu helicóptero privado à distância. Ela quis correr para a janela e vê-los chegar a casa, mas aguentou-se sabendo que tinha um papel a desempenhar este fim de semana... a frágil avó que precisava da sua família em casa com ela.

Ela tinha tido o ligeiro ataque cardíaco recentemente e tinha sido suficiente para convencer Malcolm e Angel a voltar para casa... mesmo que fosse só durante as férias do dia da independência. Quase fez a experiência assustadora valer a pena. Ela até tinha fechado o Resort a pessoas de fora e combinou com o Tristian deixar os empregados tirar o fim de semana para que parecesse mais uma casa para a sua família.

Se fosse à sua maneira, convenceria o seu filho e neta desaparecidos a mudarem-se definitivamente para o santuário... mesmo que tivesse de fingir que estava a morrer para o fazer.

Todos os seus filhos tinham vivido aqui com as suas famílias. Era uma tradição que o divórcio do Malcolm tinha quebrado. O seu filho mais velho, Robert, tinha-se tornado um advogado casando-se com a sua paixão de secundário, Dianne. Eles tinham tido gémeos, Devin e Damien, que tinham agora vinte anos e trabalhavam para ela como instrutores no ginásio que ocupava uma área enorme no rés-do-chão do resort.

Ela tinha estado de olho no Robert porque ele era muito como o seu pai... ganancioso e calculista. Ela estava ciente de que ele já se estava a preparar para competir pelo seu último Testamento quando ela morresse, mesmo sabendo ela que ele não estava certo em relação ao que o testamento citava.

Mal sabia que não lhe serviria de nada... aquele testamento era cimento em todas as direções. Ela também tinha deixado de lhe entregar a papelada do resort quando o tinha apanhado a falsificar os livros e a desviar alguns dos lucros para uma das suas contas bancárias. Ele tinha-se tornado uma grande desilusão nos últimos dois anos.

A sua segunda mais velha, a única rapariga, Carley, e os seus três filhos também viviam aqui. Mas Carley não era nada como Robert.

A sua família estava cheia de miúdos mimados que pensavam que eram melhor que os outros porque viviam do fundo fiduciário que ela tinha preparado para eles. Tiffany tinha dezassete anos, Paris vinte e dois e Jason vinte. Mas ela não podia culpar as crianças por serem preguiçosas quando a mãe deles não passava de uma alcoólica. Entre os quatro, tinham corrido com o pobre marido de Carley há anos.

Tinham passado três anos desde que o seu marido, John, tinha falecido, depois perdeu Malcolm e Angel, logo no ano depois. John tinha sido um homem arrogante de mão pesada e a verdade era... não sentia saudades de todo. Mas com todos os restantes membros tão ocupados com as suas vidas, haviam deixado Isabel sozinha na sua avançada idade.

Os únicos que lhe davam atenção eram Tristian e os dois rapazes indianos que ele e a sua irmã gostavam tanto... Hunter e Ray Rawlins.

Ela não queria, propriamente, saber o que o resto da família fazia... eram Angel e Tristian que eram importantes para ela. Não a incomodava que um dos irmãos não fosse de sangue... era o coração que contava. Quando Tristian fora adotado, ela tinha avisado os outros membros da família de que se eles alguma vez lhe contassem da adoção, seriam deserdados e expulsos do Santuário sem pensar duas vezes. Até agora a ameaça tinha aguentado.

Tristian e Angel não tinham forma de saber, mas um dia o Santuário passaria a pertencer apenas a eles.

Olhando para cima, Isabel sorriu para dentro vendo Lily Hart petrificada no jardim de flores. Ela tinha permitido que Lily continuasse a viver aqui com o seu filho quando Malcolm se tinha mudado para a outra ponta do país. A única razão para ter consentido que a mulher ficasse ali era para fazer com que Angel voltasse mais vezes possível, e para manter o Tristian lá.

No que dizia respeito a Isabel... era bem feito que Lily estivesse infeliz. Malcolm tinha-a amado por ter uma atitude fria e insuportável... afastando Malcolm, mas sem lhe dizer porquê. Ela calculou que Lily só tinha ficado aqui porque era estúpida o suficiente para pensar que um dia seria dona de uma parte do Santuário.

Malcolm fora um mulherengo antes de se terem casado, dormindo com metade do staff índio que tinha trabalhado no hotel antes de começar a subir a fasquia.

Ele deixou a sua vida de malandro quando se tinha casado, por isso ela sabia que não era essa a razão para o divórcio. Ele tinha sempre amado as mulheres, mas Isabel soube que quem ele amava mais era a Lily por causa da sua beleza... ela ainda era muito bonita. Fria e bonita... era tão privada de emoções que nunca se deu ao trabalho de ser uma mãe a sério para os seus filhos... mesmo quando eram pequenos.

Pelo ar pálido na cara de Lily, Isabel percebeu que Malcolm tinha chegado, finalmente. Ela tinha dito ao piloto do helicóptero, de forma bem clara, que seria despedido no caso de se atrever a voltar para vir buscar alguém antes de terminar o fim de semana. Também tinha pago a Ray para que ele inutilizasse todos os veículos da propriedade de uma forma ou outra para que ninguém pudesse sair.

Pela primeira vez... a família estaria toda junta aqui... quer gostassem ou não.

*****

Ray Rawlins ouviu o som do helicóptero à distância enquanto ele fechou o capô do último carro estacionado na garagem. Ele olhou à sua volta para todos os dispendiosos veículos que agora se viam inúteis com uma sensação de satisfação. Isabel Hunter conseguia ser tão implacável quanto o seu, falecido, marido quando queria.

Saindo do edifício em tijolo, afastou o seu, longo, cabelo negro dos olhos enquanto observava o helicóptero descer, lentamente, para o heliporto. Os seus pensamentos viraram-se para Hunter, perguntando-se se o seu irmão conseguiria manter a calma agora que tinham descoberto que Angel trazia o seu namorado da Califórnia para o Santuário para passar a semana.

Ashton Fox não fazia ideia da teia de aranha em que acabara de entrar.

Na sua opinião, a maioria das pessoas que tinham nascido no topo desta montanha mereciam cair dela. Angel e Tristian eram as exceções. Quando eles estavam a crescer, ele e Hunter tinham-nos acolhido debaixo de asa e protegido o quanto era possível da maldade em que tinham nascido... mesmo a querida avó deles conseguia ser traiçoeira quando queria alguma coisa.

Ele encostou-se à parede de tijolo lembrando a infância deles. Ele e Hunter eram apenas dois anos mais velhos que os irmãos, mas os quatro foram sempre inseparáveis. Juntos, tinham ido para os bosques quase todos os dias, com ele e o Hunter a ensinar-lhes técnicas índias de sobrevivência... apesar de Tristian e Angel pensarem que não passava de uma brincadeira.

A sua visão do passado desapareceu quando Angel saiu a correr do helicóptero com o namorado atrás. Ele abanou a cabeça enquanto o vento do helicóptero fez o seu cabelo platina voar como se ela estivesse no meio de uma tempestade invisível.

Ele olhou para a estadia enorme conhecida como Santuário. Ele sabia que as pessoas lá dentro que diziam ser da família dele estavam prestes a jogar um novo jogo... Um demasiado perigoso para a pequena rapariga jogar sozinha.

Ray tirou o pequeno canteiro que Hunter lhe tinha oferecido e deu um gole para desobstruir a mente. Ele precisaria de toda a sua concentração se fosse impedir que Angel ficasse em perigo.

*****

Tristian esperou até estar toda a gente fora do helicóptero antes de se inclinar para o piloto, ganhando a sua atenção. - Lembre-se do que Isabel Hart disse - seu rosto perdeu o sorriso enquanto seus olhos verdes estreitaram em aviso. - Vá passar umas férias e não se preocupe connosco. Não precisamos de si esta semana, entende?

Angel sorriu, feliz, quando Tristian se juntou a ela e todos fugiram do vento das hélices. Ela sentiu-se muito melhor assim que se virou para ver a malvada máquina a ir embora e levar o seu som insuportável consigo.

- Bons ventos te levem para um tornado - Angel fez uma saudação trocista. Se ela soubesse que ninguém gozaria com ela, tinha levado as mãos ao chão e agradecido o facto de ter chegado bem.

Ashton passou os dedos pelo seu loiro e sedoso cabelo, adorando a sensação. - Oh, estás só chateada porque o helicóptero despenteou o teu lindo cabelo - ele sorriu, perguntando-se como é que os seus dedos corriam sem atingir um único nó. Ela era a coisa mais próxima à perfeição que ele já havia encontrado, e quando ela disse que ela estava a ir para casa para uma visita ele tinha sido esperto o suficiente para não a querer fora de sua vista.

Reparando que o seu pai e Felicia já tinham entrado, Ashton deslizou o seu braço através dos seus ombros enquanto eles começaram a subir a colina para a propriedade.

- Então, pequeno capuchinho vermelho, vamos ver a tua avó primeiro? Ele observou, tentando não parecer arrebatado pelo tamanho da mansão. Ele tinha ouvido o pai dela a gabar-se dela, mas agora que estava aqui, percebeu que tinha, na verdade sido subavaliada.

Tristian piscou o olho a Angel antes de interromper. - Acho que está na hora de mostrar o quarto a Ashton e deixar que ele assente, não achas? Não há necessidade para testar o lobo mau demasiado. A avó já teve um ataque cardíaco... acho que apresentares-lhe o teu namorado assim que chegas pode ser demais para ela.

O sorriso de Angel desvaneceu ao ser mencionado o ataque cardíaco da sua avó. Ela quase voou para casa no segundo em que Tristian lhe tinha contado, mas o pai dela tinha concordado em vir passar o dia da independência aqui, por isso ela esperou. Tristian tinha dito ao telefone que tinha sido Hunter que tinha a encontrado a avó deles mesmo no último segundo e provavelmente até lhe salvou a vida.

O seu próprio coração acelerou durante um segundo quando imaginou Hunter na sua mente... Hunter Rawlins. Ela sempre o viu como o seu melhor amigo, mas quando se mudou para Los Angeles, Angel tinha percebido, lentamente, que tinham sido mais do que amigos... muito mais. Ela tinha sentido tantas saudades de Hunter como do seu próprio irmão.

- Oh vá lá - Tristian quase rosnou quando a prendeu nos seus braços e lhe deu um carinhoso abraço. - Não quis dizer isso - chegou-se para trás e agarrou-lhe as bochechas, fazendo com que levantasse a cabeça para olhar para ele. - Prometeste que seriam apenas sorrisos esta semana - lembrou-lhe com o olhar fixo no dela.

- Eu sei - Angel colocou o sorriso de volta nos lábios, mas não se sentiu bem a mesma. - Eu fico bem assim que vir, com os meus próprios olhos, que a avó está bem. Tu, leva o Ash e diverte-te. Eu encontro-me convosco mais tarde.

Ela inclinou-se na ponta dos pés e beijou Ashton na face antes de se virar e ir em direção à entrada lateral onde sabia que a sua avó estaria.

Ashton viu Angel a ir embora, não gostando do facto de serem separados quase no minuto em que colocaram os pés na montanha. Durante a sua estadia em Los Angeles, o pai dela nunca tinha precisado dela para nada, então ele tinha-a tido sempre para si só. Ele não era bom a partilhar com outros.

*****

Hunter afastou o pensamento enquanto se desencostou da ombreira onde tinha estado encostado. Bastou ver Angel a dar aquele beijo inocente ao seu namorado para deixar um mau gosto na sua boca assim como uma vontade de bater em alguma coisa... preferencialmente em Ashton Fox. Foi preciso todo o seu autocontrolo para se impedir de a seguir assim que a viu afastar-se dos outros.